Sociedade Gaúcha de Numismática

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Reuniões numismáticas?

Reuniões numismáticas: para quê

*Oswaldo M. Rodrigues Jr.

O ser humano tem expressões e necessidades que implicam em grupos desde antes de ser humano. Desde antes da história, a existência de grupos por afinidades permitiu o desenvolvimento de conhecimentos e melhoria de qualidades de vida e sobrevivência. Estes grupos promoveram a escrita e o período histórico que vivemos. E foram grupos, cada vez mais organizados, que desembocaram no uso de metais amoedados para as trocas de mercadorias, promovendo nossos grupos numismáticos após um par de milhares de anos.

Ainda usamos os grupos para sobreviver e também para o encontro de situações de bem estar.

E em cada associação ou sociedade numismática ao redor do mundo existem reuniões dos membros com finalidades várias: rever amigos, conviver com iguais, trocar moedas e cédulas, vender itens numismáticos…

No Brasil as reuniões caseiras passaram a ser substituídas por reuniões formais mais importantes e abrangentes ainda em 1933, quando a SNB – Sociedade Numismática Brasileira, organizou em São Paulo, o I Congresso Brasileiro de Numismática.

Um congresso: do latim significando uma reunião de pessoas!

Porém formal, organizado com atividades especiais e específicas, com a contribuição dos participantes para que algo diferenciado e maior ocorresse, quando nas pequenas reuniões mais caseiras aquelas atividades não têm como ocorrer.

Um grande congresso com palestras, conferencias, mesas redondas, apresentações de estudos e pesquisas em numismática que produziu, mas tarde, dois volumes bem encorpados dos Anais do congresso, publicando as apresentações feitas de estudos que hoje, ainda e até agora, devemos invejar pelo grau de envolvimento daqueles numismatas.

A mesma SNB retomou a série de congressos no final dos anos 1980 e tem mantido neste século XXI a ideia de reuniões maiores com apresentações orais de estudos e compreensões que estudiosos fazem de nosso objeto de atenção, a numismática. Estes congressos também tem tido grande concorrência de comerciantes que, aproveitando a oportunidade, expõe e vendem seus materiais e fazem contatos com colecionadores, angariando novos clientes.

Nos últimos anos tem ocorrido, de modo organizado, a multiplicação de eventos favorecedores do colecionismo numismático n Brasil. Uma agenda oficial e oficiosa passou a ser criada de modo a não produzir competição de eventos que s anulem nas assistências de colecionadores.

Algo semelhante tem ocorrido nos países circundantes, mas também surgiu o inicio de um evento maior que auxilia a promover a numismática no continente Latino-americano. E disto queremos discorrer nesta oportunidade.

Há alguns anos, nos idos de 2014, ao final daquele ano, dois numismatas, estudiosos reais da área, iniciaram conversas que seguiriam em eventos organizado em Lima, Peru, em 2015. Eram o peruano Cesar Corrales e o boliviano Daniel Oropeza. Don Cesar produzia, em outubro de 2015, em Lima o II Expo-Seminários de Numismática, momento crucial para reunir representantes de vários países, uma prévia de possibilidades maiores futuras: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile… E em novembro os dois referidos investiam nos convites formais para um evento especial.

Csar Corrales e Daniel Oropeza escolheram a Cidade Imperial de Potosí, no altiplano boliviano para sediar a 1ª Convención Internacional de Historia y Numismática, de 20 a 23 de outubro de 2016.

A escolha tinha razões históricas intimamente conectadas à numismática, afinal, o chamado “Cerro Rico” produziu a maior quantidade de prata para cunhagem de moedas da Colônia Espanhola, continuadamente até o presente, por 450 anos ininterruptos. Ali se instalara a primeira Casa da Moeda da Bolívia.

A princípio seria um evento semelhante ao que Don Cesar produzira em Lima, talvez um pouco mais grandioso, mas parecia, ao final de 2015, que seríamos um grupo de 20 expositores, um grupo de amigos que se reuniriam para conhecer os estudos um de outro.

Os dez meses anteriores à 1ª Convención mostraram um evento crescendo, e o que a principio seria uma reunião Sul-americana, passou a Latino-americana e se transformou em Internacional…

Tudo organizado e formalizado com logotipo, cartazes… e apareceu o Prefeito da cidade colocando à frente a Villa Imperial para receber os visitantes.

A maioria dos conferencistas passou pela cidade de Sucre antes de irem a Potosi, como uma forma de tomarem um fôlego no meio do caminho e iniciarem o acostumar-se com a altitude de 4060 metros da pra central de Potosi.

No dia de inicio formal, às 11 da manhã, reuníamos na praça central da cidade. Formos apresentados ao Prefeito e alguns vereadores, visitamos a edificação que abrigou a Primeira casa da Meda, que ainda mantém duas chaminés, mas que funciona como sede jurídica na cidade e para o Departamento, e logo em ônibus que nos levaram ao arco que marca a entrada oficial da cidade, e no alto, vislumbrando a cidade e o famoso Cerro Rico, fomos recebidos oficialmente pelo Prefeito, vereadores, um par de deputados que representavam a região. Logo reconduzidos aos ônibus, já recebidos por uma banda de música, retomamos o caminho ao centro, interrompido para que descêssemos das conduções e com a noticia que desceríamos a pé os cerca de 1500 metros de rua ao centro. Intrigados, descemos e já recebemos colares de flores e um caminho de pedras centenárias, ladeadas por casas de mesmas épocas e seus cidadãos e moradores nos receberam por todo o caminho, oferecendo-nos comidas e bebidas, e exibições culturais e artísticas, até chegarmos à frente da Catedral e sermos recebidos por habitantes vestidos com trajes tradicionais oferecendo uma refeição de produtos locais à moda de havia séculos. A recepção da cidade nos levou aos dois mercados de produtos alimentícios, onde recebemos almoço no primeiro e sobremesa no segundo.

Então começamos a parte numismática que interessava: visita oficial pela Casa da Moeda, a segunda edificação utilizada por mais tempo, ocupando uma grande quadra central em Potosi, guiados pelo Diretor que explicou sobre cada das grandes salas e ao final deixou-nos na exposição de numismática com a coleção das moedas e medalhas produzidas naquele local!

A Alcaldia entregou, formalmente, na Sede de Governo, documentos que nos consideravam hóspedes Ilustres!

As apresentações acadêmicas ocorreram em três salas concomitantes durante três dias. Cada aula era uma nova porta que se abria representando aspectos históricos, numismáticos, colecionistas e sobre recuperação de afundamentos contendo moedas coloniais ao longo das costas do continente.

Ao final um jantar de gala no segundo pátio da Casa da Moeda, com presenças oficiais do Governo Boliviano, Ministério da Cultura, e com a entrega, a partir da SNB, de Medalhas especiais aos dois organizadores, ao Prefeito e à Ministra presente.

No dia seguinte uma visita a uma das minas de prata em funcionamento foi a coroação a este grupo de numismatas com grandes interesses históricos. Grupos trajados com equipamentos adequados para entrar as minas, sempre com um guia, puderam aprender sobre os mecanismos de mineração manual ainda utilizados, podendo presenciar os veios de prata que são seguidos para a abertura dos túneis.

A 2ª Convención

Os membros da primeira Convención votaram para a sede da 2ª ser a Formosa cidade de Arequipa, no Peru. Esta cidade foi denominada Patrimônio da Humanidade em 2005 pela grande beleza arquitetônica e o grande acervo cultural e numismático, inclusive por ter abrigado uma Casa da Moeda.

Arequipa contempla o turista com exposições numismáticas em casarões coloniais e uma Casa da Moeda, hoje transformada em Hotel.

O Comitê Organizador da 2ª Convención é presidido por Don Cesar Corrales, a quem os participantes da primeira versão conhecem muito bem dada a sua franca atividade em prol do colecionismo numismático, produzindo mais de uma dúzia de eventos nos dois últimos anos em várias cidades do Perú. Assim, e por estas razões foi votado pelo grupo participante da 1ª Convención para presidir esta segunda.

No Comitê atual temos alguns representantes brasileiros apoiando e participando efetivamente:

COMISIÓN CALIFICADORA CONCURSO MEDALLA AREQUIPA 2018 – Gilberto Tenor

COMISIÓN ACADEMICA EVALUADORA – Hilton Lucio

Vice-Presidente para o Brasil – Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Já somos 12 países oficialmente engajados com representantes confirmados no evento.

Serão 16 conferências magistrais histórico-numismáticas e outras 16 conferências numismáticas apresentadas neste evento. Mais de 60 instituições numismáticas apoiadoras e participantes, e apresentações de pesquisas históricas numismáticas inéditas. Constituiu-se, já em Potosi, e agora terá continuidade, uma Comissão Jurídica de Direito Internacional sobre Patrimônio Numismático. Criou-se o Concurso de Desenho da Medalha Comemorativa Arequipa 2018, e outro Concurso de Pintura sobre temática numismática. Serão apresentados 8 livros de História numismática. Será cunhada uma Medalha Comemorativa com a inauguração do Circuito Turístico Numismático de Arequipa. O evento terá um jantar especial de encerramento após muitas exposições, mesas institucionais e de comerciantes numismáticos.

A convenção ocorrerá de 18 a 21 de outubro de 2018, e as propostas de conferências deverá ser feita até 31 de março, e a aprovação será em 30 de abril, sendo que os aprovados devem apresentar seus textos finalizados até 31 de julho de 2018.

Informações podem ser solicitadas pelo e-mail informacion@arequipa2018.com ou visitando o website: www.arequipa2018.com

Tenham certeza de que será um excelente evento para quem aprecia numismática, seja um colecionador ou alguém que estuda e pesquisa este campo.

Oswaldo M. Rodrigues Jr. é Numismata, psicólogo, escritor e Assessor de Relações Internacionais da SNB – Sociedade Numismática Brasileira

 

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